Infarto: Sintomas, Fatores de Risco e Como Agir na Emergência
- O que é infarto e como ele acontece no coração
- Os sintomas clássicos e os que surpreendem
- Por que os sintomas em mulheres são diferentes
- O que fazer nos primeiros minutos — protocolo de emergência
- Fatores de risco que você pode controlar
- Como prevenir com exames e estilo de vida
Carlos, 52 anos, empresário de São Paulo, estava no jantar de família quando sentiu uma pressão estranha no peito. "Achei que era indigestão", ele conta. A pressão foi aumentando. Sentiu suor frio, náusea, o braço esquerdo ficou pesado. Sua filha, que havia assistido a uma palestra sobre infarto no colégio, reconheceu os sintomas imediatamente e ligou para o SAMU. Carlos chegou ao hospital a tempo. O cateterismo revelou uma artéria 95% obstruída.
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, responsáveis por cerca de 400 mil óbitos por ano. O infarto do miocárdio — o "ataque cardíaco" — é o principal representante desse grupo. E a diferença entre sobreviver ou não, muitas vezes, está em reconhecer os sintomas e agir nos primeiros minutos.
O que é infarto e como acontece
O infarto do miocárdio acontece quando uma artéria coronária — as que irrigam o coração — é bloqueada, impedindo o sangue de chegar a uma parte do músculo cardíaco. Sem sangue, aquela região começa a morrer por falta de oxigênio. Quanto mais tempo sem tratamento, mais músculo cardíaco é perdido definitivamente.
O bloqueio geralmente ocorre por um processo chamado aterosclerose — acúmulo de placas de gordura (colesterol) dentro das artérias ao longo dos anos. Em determinado momento, essa placa pode se romper, causando a formação de um coágulo que obstrui completamente o vaso.
Sintomas clássicos — e os que surpreendem
Sintomas mais comuns (que todo mundo deveria conhecer):
- Dor ou pressão intensa no centro do peito — como se alguém estivesse apertando o coração com a mão
- Dor que irradia para o braço esquerdo, ombro, pescoço, mandíbula ou costas
- Suor frio repentino
- Náusea e vômito
- Falta de ar, mesmo em repouso
- Tontura ou sensação de desmaio
- Sensação de morte iminente — angústia intensa
Sintomas atípicos que confundem:
- Dor apenas na mandíbula, no pescoço ou nas costas — sem dor no peito
- Indigestão persistente que não passa
- Cansaço extremo súbito
- Mal-estar vago e dificuldade para respirar
Sintomas diferentes em mulheres
Uma das razões pelas quais as mulheres morrem mais de infarto do que os homens é que seus sintomas são frequentemente diferentes — e por isso são subestimados, inclusive pelos próprios médicos.
Mulheres têm mais probabilidade de apresentar os sintomas atípicos: dor nas costas ou mandíbula, fadiga intensa (às vezes dias antes do evento), náuseas, falta de ar e ansiedade, sem a dor clássica no peito. Por isso, quando uma mulher sente algo diferente e persistente na região do tórax e está com fatores de risco, é fundamental buscar avaliação médica rapidamente.
O que fazer nos primeiros minutos
- 1. Ligue 192 (SAMU) — não espere para ver se melhora. O tempo é músculo cardíaco
- 2. Não dirija — peça para alguém levar ou espere o SAMU
- 3. Sente ou deite em posição confortável, solte roupas apertadas
- 4. Aspirina: se disponível e sem contraindicação conhecida, mastigue (não engula inteira) um comprimido de AAS 100mg. Mas só se um médico já tiver indicado anteriormente para uso nessa situação
- 5. Informe: comunique quem está ao redor para que possam ajudar e, se necessário, fazer RCP
- Não tome nifedipina sublingual sem orientação médica — pode piorar o quadro
Fatores de risco que você pode controlar
Alguns fatores de risco para infarto não podem ser mudados (idade, sexo, histórico familiar). Mas a maioria pode:
- Hipertensão arterial: controle a pressão com medicamentos e estilo de vida
- Colesterol alto: dieta adequada, exercício e estatinas quando necessário
- Diabetes: controle rigoroso da glicemia reduz o risco cardiovascular
- Tabagismo: parar de fumar é o único fator que reduz o risco mais rapidamente
- Sedentarismo: 30 minutos de caminhada 5x por semana reduz o risco significativamente
- Obesidade: especialmente a gordura abdominal, que inflama os vasos
- Estresse crônico: cortisol elevado danifica os vasos e aumenta a pressão
Prevenção — exames e estilo de vida
A prevenção cardiovascular começa por conhecer seu risco. Todo adulto a partir dos 40 anos (ou antes, se houver fatores de risco) deve fazer periodicamente:
- Medição de pressão arterial
- Lipidograma (colesterol e triglicérides)
- Glicemia em jejum
- ECG de repouso
- Avaliação do risco cardiovascular global com cardiologista
Conclusão: segundos contam — e informação salva vidas
O infarto mata porque as pessoas não agem rápido o suficiente. Seja por não reconhecer os sintomas, por achar que "vai passar", ou por medo de ser "exagero". Conhecer os sinais e agir imediatamente — ligando para o SAMU — pode ser a diferença entre vida e morte, ou entre uma recuperação completa e uma sequela permanente.