Alergias: Tipos, Sintomas e Tratamentos Mais Eficazes
- Como o sistema imune provoca a reação alérgica
- Os principais tipos de alergia — alimentar, respiratória e de pele
- Rinite alérgica: como controlar e tratar
- Alergia alimentar: os alimentos mais comuns e como agir
- Urticária: causas e como aliviar
- Tratamentos: antialérgicos e imunoterapia
Lucas, 8 anos, espirra toda manhã ao acordar, tem o nariz entupido praticamente o ano todo e os olhos ficam vermelhos quando brinca com o cachorro da avó. A mãe sempre deu antialérgico "quando piora". Quando foi ao alergologista, o teste cutâneo revelou alergia a ácaros, pelo de gato e pólen. Com tratamento adequado e alguns ajustes no quarto, Lucas melhorou 80% sem precisar de remédio todos os dias.
A alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a substâncias que, para a maioria das pessoas, são inofensivas. No Brasil, estima-se que 30 a 40% da população tenha algum tipo de doença alérgica. A rinite alérgica é a mais comum, seguida da asma alérgica, dermatite atópica e alergias alimentares.
Como o sistema imune provoca alergia
Quando uma pessoa alérgica entra em contato com um alérgeno (substância que provoca alergia), o sistema imunológico a identifica erroneamente como uma ameaça. Na primeira exposição, o corpo "se sensibiliza" — cria anticorpos específicos (IgE) contra aquela substância. Na próxima vez que entra em contato com o mesmo alérgeno, esses anticorpos desencadeiam uma reação em cascata que libera histamina e outros mediadores inflamatórios. São esses mediadores que causam todos os sintomas clássicos da alergia.
Rinite alérgica — tratamento e controle
A rinite alérgica é a doença crônica mais comum no Brasil. Os sintomas típicos são: espirros em salvas (especialmente de manhã), coriza (secreção nasal), nariz entupido e coceira no nariz, olhos e garganta.
Alérgenos mais comuns na rinite: ácaros da poeira (vivem nos colchões, travesseiros e carpetes), pelo e saliva de animais, fungos domésticos, baratas e pólen.
Como controlar em casa:
- Capas antiácaros para colchão e travesseiros
- Lavar roupas de cama semanalmente com água quente
- Evitar carpetes, tapetes grossos e pelúcias no quarto
- Não deixar o animal entrar no quarto de quem é alérgico
- Manter a umidade da casa entre 40-60% — ácaros adoram umidade alta
- Lavar o nariz com solução salina diariamente
Tratamento medicamentoso: Anti-histamínicos orais (loratadina, cetirizina, fexofenadina) controlam os sintomas. Corticoides nasais spray (mometasona, fluticasona) são mais eficazes para obstrução nasal e com uso regular. São seguros para uso crônico quando usados corretamente.
Alergia alimentar — os principais alimentos
A alergia alimentar é diferente da intolerância alimentar — na alergia, o sistema imunológico está envolvido e os sintomas podem ser imediatos e graves.
Alimentos responsáveis por 90% das alergias alimentares no Brasil:
- Leite de vaca — muito comum em bebês e crianças pequenas
- Ovo
- Amendoim — pode causar reações graves
- Frutos do mar: camarão, caranguejo, lagosta
- Peixes
- Trigo (glúten)
- Soja
- Castanhas e nozes
Sintomas de alergia alimentar: podem aparecer minutos a 2 horas após o consumo — urticária (manchas avermelhadas na pele), inchaço no rosto ou lábios, vômito, diarreia, dificuldade para respirar. O caso mais grave é a anafilaxia — reação alérgica sistêmica que pode ser fatal.
- Dificuldade intensa para respirar ou engolir
- Inchaço na garganta ou língua
- Pressão baixa súbita, tontura, desmaio
- Urticária generalizada com mal-estar intenso
Ligue imediatamente para o SAMU: 192. Pessoas com alergia grave devem carregar adrenalina injetável (epinefrina) prescrita pelo médico.
Urticária — causas e alívio
A urticária é caracterizada por manchas avermelhadas e com coceira intensa na pele — como "ferroadas de urtiga". Pode ser aguda (dura menos de 6 semanas) ou crônica (mais de 6 semanas).
As causas são variadas: alimentos, medicamentos (principalmente antibióticos e anti-inflamatórios), infecções virais, estresse, variação de temperatura e, em muitos casos, sem causa identificável (urticária crônica idiopática).
O tratamento de primeira linha é com anti-histamínicos de segunda geração (loratadina, cetirizina, fexofenadina), que não causam sonolência intensa. Casos mais graves podem precisar de corticoide por curto prazo.
Tratamentos: antialérgicos e imunoterapia
Antialérgicos (anti-histamínicos): são o tratamento de primeira linha para a maioria das alergias. Os de segunda geração (loratadina, cetirizina) são preferíveis por causarem menos sonolência do que os mais antigos (difenidramina, prometazina).
Imunoterapia (vacina de alergia): é o único tratamento que modifica o curso natural da doença. Consiste em administrar doses progressivamente maiores do alérgeno ao longo de 3 a 5 anos, "ensinando" o sistema imunológico a tolerar a substância. Indicada para rinite alérgica grave, asma alérgica e alergias a veneno de insetos. Disponível pelo SUS em alguns serviços especializados.
Conclusão: alergia tem controle
Viver com alergia não significa viver mal. Com o diagnóstico correto — feito pelo alergologista com testes específicos — e o tratamento adequado, é totalmente possível controlar os sintomas e ter qualidade de vida. O primeiro passo é entender o que você tem e quais são seus alérgenos específicos.