Refluxo Gastroesofágico: Sintomas e Como Acabar de Vez
- O que é refluxo e como ele acontece no organismo
- Sintomas além da azia — os que muita gente desconhece
- Os alimentos que causam e pioram o refluxo
- Tratamento médico e remédios disponíveis
- Mudanças de hábito que realmente eliminam o refluxo
- Quando o refluxo pode ser sinal de algo mais grave
Roberto, 43 anos, vendedor de Belo Horizonte, todo dia ao deitar sentia aquela queimação subindo do estômago até a garganta. Dormia mal, acordava de manhã rouco, e vivia com gosto azedo na boca. Tomava antiácido como se fosse água, mas a melhora durava pouco. Quando foi ao gastroenterologista, descobriu que tinha Doença do Refluxo Gastroesofágico — a DRGE — em grau moderado.
O refluxo é um dos problemas digestivos mais comuns no Brasil. Estima-se que entre 12% e 20% dos brasileiros sofrem com sintomas de DRGE regularmente. E muitos, como Roberto, se acostumam com o desconforto sem buscar tratamento adequado.
O que é refluxo e como acontece
Entre o esôfago e o estômago existe uma espécie de "válvula" muscular chamada esfíncter esofagiano inferior. Ela abre para deixar o alimento entrar no estômago e fecha logo depois para impedir que o ácido gástrico suba. Quando essa válvula não fecha bem — por estar enfraquecida ou relaxar na hora errada — o ácido do estômago reflui para o esôfago, causando a irritação e a queimação característica.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é diagnosticada quando esse refluxo acontece com frequência, causando sintomas e podendo lesar a mucosa do esôfago.
Sintomas além da azia — os que surpreendem
A maioria das pessoas associa o refluxo apenas à azia e à queimação. Mas existem sintomas que poucas pessoas ligam ao refluxo:
- Rouquidão matinal — o ácido irrita as cordas vocais durante o sono
- Tosse seca crônica — especialmente ao deitar
- Sensação de "nó na garganta" ou globo esofagiano
- Gosto azedo ou amargo na boca, especialmente de manhã
- Dor no peito que imita sintoma cardíaco
- Dificuldade para engolir (disfagia)
- Chiado no peito — o ácido pode alcançar os brônquios e agravar asma
- Erosão do esmalte dentário pelo ácido
Alimentos que causam e pioram o refluxo
Evite ou reduza:
- Alimentos gordurosos — frituras, carnes gordas, fast food
- Chocolate e café (relaxam o esfíncter)
- Bebidas alcoólicas e refrigerantes carbonatados
- Alimentos ácidos: laranja, limão, tomate e molhos de tomate
- Menta e hortelã — contraintuitivamente, relaxam o esfíncter
- Alho e cebola crus
- Pimenta em excesso
Prefira: Proteínas magras, vegetais cozidos, pão integral, arroz, banana, melão, maçã (sem casca), aveia, gengibre e erva-cidreira.
Tratamento médico e remédios
Os inibidores de bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol, esomeprazol) são os medicamentos mais eficazes para DRGE. Reduzem a produção de ácido gástrico e permitem que o esôfago se recupere. Devem ser usados conforme orientação médica — geralmente 20 a 30 minutos antes da primeira refeição do dia.
Antiácidos (como o hidróxido de alumínio) funcionam para alívio rápido, mas temporário — não tratam a causa. Alginatos criam uma barreira física sobre o ácido do estômago e podem ser úteis para uso pontual após as refeições.
Mudanças de hábito que resolvem o refluxo
- Elevar a cabeceira da cama 15 cm — não apenas o travesseiro, mas a cabeceira
- Não deitar nos primeiros 2 a 3 horas após comer
- Comer devagar, mastigando bem, em porções menores e mais frequentes
- Perder peso — o excesso de gordura abdominal pressiona o estômago
- Parar de fumar — a nicotina relaxa o esfíncter
- Evitar roupas apertadas na cintura
- Reduzir o estresse — o estômago é muito sensível às emoções
- Dificuldade crescente para engolir alimentos sólidos
- Perda de peso involuntária sem motivo
- Vômito com sangue ou fezes escurecidas (sangue)
- Dor no peito intensa — para excluir causa cardíaca
- Refluxo que persiste mesmo com tratamento por mais de 8 semanas
O refluxo prolongado sem tratamento pode causar esofagite (inflamação do esôfago), úlceras esofágicas e, em casos raros, o Esôfago de Barrett — uma alteração celular que aumenta o risco de câncer de esôfago. Por isso, o acompanhamento médico regular é fundamental.
Conclusão: refluxo tem solução com as mudanças certas
Conviver com refluxo não é destino. Com a combinação de mudanças na alimentação, hábitos saudáveis e, quando necessário, medicamento adequado, a grande maioria dos pacientes consegue viver sem sintomas. O segredo é não ignorar o problema e buscar tratamento antes que o ácido cause danos maiores.