Gastrite: Sintomas, Causas e Como Tratar de Vez
- O que é gastrite e por que ela dói tanto
- Sintomas que vão além da simples dor de estômago
- As principais causas — H. pylori, medicamentos, estresse
- Como o diagnóstico é feito
- Tratamentos com evidência científica
- O que comer (e o que evitar) durante as crises
Marcos, 38 anos, contador de Curitiba, vivia com dor no estômago depois do almoço. Achava que era normal — afinal, trabalhava sob pressão e comia rápido todo dia. Quando a dor começou a acordá-lo de madrugada, foi ao médico. A endoscopia revelou gastrite erosiva com presença de H. pylori. Após o tratamento com antibióticos e mudanças na rotina alimentar, ficou 18 meses sem qualquer sintoma.
A gastrite é uma das condições digestivas mais comuns no Brasil — estima-se que afeta cerca de 70% da população em algum grau durante a vida. Mas apesar de tão comum, ela ainda é muito mal compreendida e frequentemente tratada de forma inadequada.
O que é gastrite
Gastrite é a inflamação da mucosa gástrica — a camada protetora que reveste o interior do estômago. Essa mucosa protege o estômago dos próprios sucos gástricos (altamente ácidos). Quando ela se inflama ou perde sua integridade, os ácidos começam a irritar diretamente as paredes do estômago, causando dor, queimação e os demais sintomas.
Existem dois tipos principais:
- Gastrite aguda: surge de repente, geralmente causada por uso de anti-inflamatórios, álcool em excesso ou estresse intenso. Tende a melhorar com o afastamento da causa
- Gastrite crônica: persiste por meses ou anos, frequentemente relacionada à infecção por H. pylori ou doenças autoimunes. Exige tratamento específico e acompanhamento médico
Sintomas que indicam gastrite
A gastrite pode ser silenciosa (sem sintomas) ou apresentar um quadro bem característico:
- Dor ou queimação na região do epigástrio (parte central superior do abdômen)
- Sensação de empachamento — estômago cheio logo no início das refeições
- Náusea e vômito
- Azia e regurgitação ácida
- Perda de apetite
- Eructação (arrotos) frequentes
- No caso de gastrite erosiva: fezes escurecidas (sangue digerido) ou vômito com sangue
As principais causas
Helicobacter pylori (H. pylori): esta bactéria é a causa mais comum de gastrite crônica no mundo. Estima-se que 60 a 70% dos brasileiros estão infectados — muitos sem saber. A bactéria penetra na mucosa gástrica, provoca inflamação crônica e, se não tratada, pode evoluir para úlceras e, em casos raros, câncer gástrico.
Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): ibuprofeno, diclofenaco, naproxeno e ácido acetilsalicílico (AAS) em doses altas inibem a produção de prostaglandinas que protegem a mucosa gástrica. Uso frequente sem proteção gástrica (como omeprazol) causa gastrite aguda.
Álcool: irrita diretamente a mucosa e aumenta a produção de ácido gástrico. Uma única noite de excesso alcoólico é suficiente para causar gastrite aguda.
Estresse: especialmente o estresse físico severo (cirurgias, traumas, UTI) pode causar gastrite de estresse — uma forma aguda potencialmente grave. O estresse emocional crônico também piora os sintomas de quem já tem gastrite.
Causas autoimunes: em alguns casos, o sistema imunológico ataca as células da mucosa gástrica, causando gastrite atrófica autoimune, que pode levar à anemia perniciosa por deficiência de vitamina B12.
Como o diagnóstico é feito
O diagnóstico definitivo de gastrite exige endoscopia digestiva alta — um exame em que uma câmera é introduzida pela boca para visualizar diretamente o esôfago, estômago e duodeno. Durante o exame, podem ser coletadas biópsias para análise histológica e pesquisa de H. pylori.
Outros exames para detectar H. pylori incluem o teste respiratório do urease (não invasivo, muito confiável) e o antígeno fecal.
Tratamento da gastrite
| Causa | Tratamento principal | Duração |
|---|---|---|
| H. pylori | Antibióticos (amoxicilina + claritromicina) + IBP | 7 a 14 dias |
| AINEs | Suspender o anti-inflamatório + IBP | 4 a 8 semanas |
| Gastrite ácida | Inibidor de bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol) | 4 a 8 semanas |
| Gastrite autoimune | Reposição de B12 + acompanhamento oncológico | Indefinida |
Alimentação na gastrite — o que comer e evitar
Alimentos que tendem a piorar a gastrite:
- Pimenta, molho de pimenta, alimentos muito condimentados
- Alimentos ácidos em excesso: laranja, limão, tomate
- Café em jejum e chá preto forte
- Bebidas alcoólicas de qualquer tipo
- Alimentos gordurosos e frituras — retardam o esvaziamento gástrico
- Refrigerantes e bebidas gaseificadas
- Chocolate em excesso
Alimentos que costumam ser bem tolerados:
- Arroz, batata, mandioca, pão branco (carboidratos simples que tampão o ácido)
- Frango e peixe grelhados ou assados
- Legumes cozidos (cenoura, abobrinha, chuchu)
- Banana, maçã, pera
- Iogurte natural sem acidez excessiva
Conclusão: gastrite tem tratamento
A gastrite, apesar de muito comum, não deve ser ignorada nem automedicada cronicamente. Com diagnóstico correto, tratamento da causa raiz e mudanças na alimentação e estilo de vida, a grande maioria dos casos resolve completamente. Se os sintomas persistirem ou retornarem, não adie a consulta ao gastroenterologista.